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Meio Ambiente

 
 

A Amazônia segue aprontando

  por Paulo Roberto Martini
 
 

A última ‘aprontada’ foi este verão dos mais secos já vividos em nossa RMVale

 
     
 

Somos, querendo ou não, 58% amazônicos e não nos damos conta disto. As pessoas invariavelmente se referem ao nosso domínio de floresta tropical úmida como se ele estivesse em outro planeta ou do outro lado do mundo.

Este tal lugar é aqui, pois Brasil tem 58% do seu território encravado na Amazônia. São mais de 5 milhões de quilômetros quadrados que, somados ao domínio tropical fora do país, chega aí pelos 7,7 milhões, onde caberiam duas europas com folgas. Um bocado de território que gosta de aprontar e vive aprontando.

A Amazônia sempre surpreende, a despeito de todo um conjunto de sistemas de monitoramento que foram instalados ou estão sendo construídos usando o santo nome desta deusa em vão. Ela se parece muito com as damas em geral: cheia de segredos. Muito mais complexa do que sua calma aparência indica e desafiando: desvendam-me, se forem capazes, sistemas de meia tigela!

Sim, porque já foram alguns milhões em dinheiro investido com o objetivo de monitorar/mapear/controlar nossa preciosa dama florestal. Os dois primeiros grandes projetos de Sensoriamento Remoto do país tiveram como eixos centrais a Amazônia: o Projeto RADAM (acrônimo de RADar da AMazônia) e o Projeto do Satélite ERTS (atual LANDSAT).

As atividades deste projetos foram dedicados principalmente aos recursos naturais do meio ambiente físico. Esta história continua, pois grande parte dos objetivos dos projetos espaciais mais recentes seguem o mesmo mote, basta ver os casos dos satélites CBERS e AMAZONIA. Nas questões de previsão de tempo e de clima, também nossa dama é cultuada, pois os grandes investimentos, tanto do CPTEC quanto do INMET, carregam nela suas baterias de argumentos.

O espaço aéreo amazônico também suporta extensos investimentos, bastando verificar os casos do SIPAM e do SIVAM. Centros internacionais também galopam na insana busca dos segredos amazônicos. Os centros mais persistentes são americanos, franceses, ingleses e japoneses. Nossa grande dama é farta, mas não se desvenda e continua aprontando.

Sua última aprontada se reflete ainda em nossa região. Nosso verão foi dos mais secos dos últimos anos, provocado pela falta de umidade que desemboca por aqui a partir da Amazônia Ocidental, segundo os modelos. A umidade ficou por lá mesmo e acabou gerando um verão tremendamente chuvoso em todo o sistema formador do Rio Madeira. Os rios Mamoré, Beni e Madre de Dios atingiram cheias excepcionais.

Alguns ainda não vazaram suas águas para o Madeira, como é o caso do sistema Mamoré-Beni, que mostra suas várzeas completamente inundadas. Os níveis de água medidos em Porto Velho estão superiores aos maiores da história local e mais água ainda vai descer, segundo imagens processadas no Inpe.

Caberia a pergunta: com tantos sistemas criados para monitorar nossa grande dama florestal, como este recente “fenômeno” foi acontecer sem ter sido antecipado ou anunciado por eles? Melhor ficar calado, mas não custa nada dar cascudo em nossos sistemas de monitoramento de vez em quando. Nos estrangeiros também, por que não? Enfim, como uma grande dama a abordagem da Amazônia precisa de muito siso.

Siso que misture ciência com teleco-teco. Teleco-teco, no caso, são abordagens metodológicas não convencionais, normalmente impedidas pela ciência ortodoxa. Uma abordagem não convencional, por exemplo, detectou imensos remanescentes bolivianos de água que ainda estão por descer para o vale impactado do Rio Madeira em território brasileiro.

Se dependesse de ciência ortodoxa, estes remanescentes não seriam antecipados, a tempo de impedir estragos maiores no rio abaixo. Longa vida ao teleco-teco na ciência. OVALE

 
 
 
 

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Paulo Roberto Martini é geólogo e pesquisador do INPE, em São José dos Campos -  paulo.martini@ovale.com.br

 
   
 
 
                             
                                                 
                       
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